Irã condena cantora a 74 chibatadas por se apresentar sem véu

O regime islâmico do Irã condenou a cantora Parastoo Ahmadi a 74 chibatadas por se apresentar sem o véu durante uma show transmitido pelo YouTube em 2024. A sentença também impôs à artista dois anos de proibição para exercer atividades artísticas e outros dois anos sem poder deixar o país, segundo documentos judiciais citados pela imprensa internacional nesta quinta-feira (18).

De acordo com o jornal britânico The Guardian, oito integrantes da equipe de produção da da cantora, incluindo músicos que participaram da apresentação, também foram condenados à mesma punição. O caso foi analisado pelo Tribunal Penal da província de Qom, no Irã.

A acusação contra Ahmadi envolveu suposta ofensa à moral pública por meio da produção e divulgação de conteúdo considerado “vulgar” e “imoral” no ambiente virtual. Conforme o portal de notícias IranWire, a decisão citou artigos do Código Penal Islâmico e da Lei de Crimes Cibernéticos do Irã. A sentença ainda é preliminar e pode ser alvo de recurso.

O vídeo que motivou o processo foi publicado em dezembro de 2024 no canal de Ahmadi no YouTube. A gravação, chamada An Imaginary Concert (“Um Concerto Imaginário), mostrava a cantora interpretando diversas canções em um espaço vazio, sem público, acompanhada por músicos. Ela aparecia com o cabelo descoberto, sem cumprir as regras do hijab, o véu islâmico obrigatório para mulheres no Irã.

Veja a apresentação que culminou na condenação da cantora iraniana:

O vídeo da apresentação tem até este momento 2,9 milhões de visualizações. Ahmadi e alguns músicos foram detidos temporariamente no Irã após publicarem o material. Eles foram liberados depois. As autoridades iranianas abriram posteriormente o processo formal contra os participantes da produção.

A apresentação faz referência à proibição imposta a mulheres iranianas de cantarem sozinhas diante de uma plateia no país. Segundo a imprensa internacional, Ahmadi, nascida em 1997, já havia ganhado notoriedade ao cantar músicas de apoio aos protestos contra o regime islâmico de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia da moralidade.

Organizações de direitos humanos afirmaram que a punição reflete uma tentativa mais ampla do regime iraniano de intimidar artistas e conter manifestações de dissidência cultural. A jornalista Bahar Ghandehari, membro do Center for Human Rights in Iran, disse ao Guardian que a condenação mostra que a situação de violação de direitos humanos no país “não mudou”.

Fonte: Gazeta do Povo

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