
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O homem de 74 anos investigado após a família de uma menina de 4 anos denunciar que ela foi vítima de estupro na sede da Sociedade Esportiva Palmeiras, no bairro Perdizes, na zona oeste de São Paulo, prestou depoimento nesta terça-feira (16) sobre o caso à Polícia Civil.
Sócio depôs na 9ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) – Oeste, onde o caso está sendo investigado. Os advogados do homem, João Victor Abreu e Ana Beatriz Krasovic, afirmaram à reportagem que ele compareceu espontanemante na delegacia para apresentar sua versão dos fatos. Ele falou com a delegada do caso por aproximadamente uma hora e meia, e estava acompanhado de sua advogada, segundo o Brasil Urgente (TV Bandeirantes). O suspeito era sócio do clube. Após a denúncia, o Palmeiras anunciou a suspensão dele.
Advogados afirmam que ele voltou a negar as acusações na delegacia. De acordo com Abreu e Krasovic, as notícias veiculadas “não condizem com a realidade apresentada no inquérito policial”. Todavia, os advogados não informaram qual seria o andamento da apuração. “Por isso, mais uma vez, confiamos plenamente que a justiça será feita e sua inocência será comprovada.”
Procurada, a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) declarou que o caso é investigado como estupro de vulnerável por meio de inquérito policial. Diligências estão em andamento para esclarecimentos, acrescentou a pasta. “Detalhes serão preservados devido à natureza da ocorrência e por envolver menor de idade.”
ENTENDA O CASO
O homem de 74 anos usou pipocas para atrair a criança, de acordo com o relato da mãe da vítima em boletim de ocorrência. A mulher disse à Polícia Civil conhecer o suspeito há algum tempo em razão de ambos frequentarem o Clube Social Palmeiras. Ela relatou ter descoberto, por coincidência, que o homem -sócio do clube- acompanha um familiar em atividades do espaço.
Mãe relatou que, na tarde de quarta-feira (10), estava com a filha em um dos andares das dependências do clube. Nesse período, o homem permaneceu próximo às duas com um saco de pipoca nas mãos e ofereceu o alimento à criança.
Homem já havia tentado se aproximar da menina em outras ocasiões, porém, ela não dava atenção por não gostar de interagir com pessoas estranhas, disse a responsável. No entanto, a mãe falou à polícia ter percebido que o suspeito conseguia atrair a atenção da criança ao oferecer pipocas, episódio que se repetiu na quarta-feira (10). Ele chegou a ficar entretendo a menina enquanto ela consumia o alimento, acrescentou.
Em determinado momento, a mãe da menina usava o celular quando uma conhecida se aproximou e ela acabou perdendo a filha de vista por um breve período. Ao chamá-la em voz alta, a menor apareceu pouco tempo depois vindo da direção dos banheiros dizendo “é segredo, é segredo” e acrescentou que havia estado no banheiro masculino.
Então, a mãe levou a menina para um local mais reservado e voltou a questioná-la sobre o ocorrido, ao que a garota respondeu se tratar de um “segredo”. A responsável explicou a menor que não existem segredos no ambiente familiar e reforçou para que ela falasse sobre o episódio. A menina respondeu que o “vovô colocou a mão lá”, em referência a sua região genital.
Responsável afirmou, em depoimento, que não compreendeu exatamente o que a filha havia dito e, por isso, retornou para casa com ela. Ao dar banho na menina, percebeu a presença de secreção na região íntima. Com o apoio da tia da criança, a família entendeu o que teria ocorrido e voltou ao clube para que a menor recebesse atendimento médico.
No clube, funcionários do espaço verificaram as imagens do sistema de monitoramento e informaram que a menor efetivamente entrou no banheiro masculino. Ela permaneceu no local por aproximadamente 15 segundos, de acordo com o boletim.
A defesa da família da menina disse à reportagem na última semana que eles buscam por justiça. “A criança não mensura. A inocência dela não mensura o ato ocorrido”, informou o advogado Leonardo Camargo sobre como a menina estava após a denúncia. O defensor disse ainda que os familiares da criança acreditam fielmente na investigação policial para o rápido esclarecimento do caso.
POLÍCIA CIVIL INVESTIGA O CASO
SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) disse que solicitou exame do IML (Instituto Médico Legal) para a criança. A pasta ainda afirmou que detalhes serão preservados por se tratar de crime sexual e envolver menor de 18 anos.
PALMEIRAS OFERECEU ADVOGADO À VÍTIMA E SUSPENDEU O SÓCIO
O Palmeiras informou em nota na quinta-feira (11) que o suspeito foi identificado e as imagens do circuito interno encaminhadas à Justiça. O suspeito de envolvimento no caso foi suspenso pelo Palmeiras. “A presidente Leila Pereira determinou a imediata suspensão de um associado suspeito de envolvimento no caso; se ficar comprovada a autoria ou participação dele neste crime abominável, ele será expulso do quadro associativo”, disse o clube no comunicado.
Policiais que estiveram no caso dizem que o Palmeiras se negou a ajudar na identificação do autor, o que o clube nega. No relato dos agentes, um gerente da segurança do local teria negado ceder a identificação. À reportagem, o Palmeiras informou que ofereceu um advogado para acolhimento da vítima e da família e cedeu todo o material de apuração interna para a Justiça. “Não procede a informação de que policiais militares tiveram o acesso negado à sede social”, concluiu.
VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA DO PALMEIRAS SOBRE O CASO
“Na noite de quarta-feira (10), uma associada procurou a administração do Palmeiras para relatar um caso de abuso sexual cometido contra sua filha, possivelmente nas dependências do clube social.
Após acolher a mãe e a criança, que foi atendida por um médico do Palmeiras, a administração designou que um dos advogados do clube as acompanhasse até a Delegacia de Defesa da Mulher para o registro da ocorrência.
Paralelamente, iniciou-se um trabalho de apuração interna por meio da análise das imagens do sistema de monitoramento da sede social. O material solicitado foi prontamente separado e enviado à polícia.
Assim que foi informada sobre a ocorrência, a presidente Leila Pereira determinou a imediata suspensão de um associado suspeito de envolvimento no caso; se ficar comprovada a autoria ou participação dele neste crime abominável, ele será expulso do quadro associativo, sem prejuízo das demais medidas punitivas cabíveis.
A identidade do suspeito está sendo preservada em respeito às normas legais e para a adequada condução das investigações realizadas pela autoridade competente.
A instituição segue inteiramente à disposição do Poder Judiciário para colaborar com esclarecimentos adicionais que entendam ser pertinentes para a apuração do caso.
O Palmeiras repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e não medirá esforços para que os fatos sejam rapidamente elucidados.”
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