Esquerda diz que não reconhecerá resultado das eleições no Peru

O partido de esquerda Juntos pelo Peru, liderado pelo candidato à presidência Roberto Sánchez, convocou uma mobilização em Lima na próxima sexta-feira (19) para “defender o voto popular” e rejeitar os resultados do segundo turno das eleições, que dão vantagem à candidata de direita Keiko Fujimori, com 99% dos votos apurados.

Por meio de um comunicado nesta terça-feira (16), o partido de Sánchez convocou a “mais ampla união” de todas as forças democráticas, políticas, sociais, trabalhistas, camponesas, indígenas, juvenis e populares para formar e fortalecer a Frente Popular Patriótica desde a base.

A “grande mobilização nacional”, como o Juntos pelo Peru a denomina, espera a chegada de delegações de todas as regiões, províncias e distritos do país na sesta sexta-feira, no Parque Campo de Marte, no distrito de Jesús María, em Lima.

Antes do ato, a equipe de campanha de Sánchez, que participou das eleições em nome do ex-presidente deposto e preso Pedro Castillo (2021-2022), está convocando vigílias e protestos pacíficos em todo o país já nesta quarta-feira (17).

O grupo político de esquerda justificou a mobilização devido a uma suposta “falta de transparência” dos órgãos responsáveis ​​pelo processo eleitoral, as alterações nas regras eleitorais no meio da eleição e uma série de “irregularidades, motivos para anulação e manobras político-midiáticas” que minam a justiça eleitoral e “a vontade soberana do povo peruano”.

Os aliados de Sánchez afirmam que “o voto dos cidadãos foi deslegitimado” e que há “evidências” de uma clara vontade corporativa contrária aos interesses da maioria.

O Juntos pelo Peru ressaltou que o Estado de Direito e a governabilidade são medidos pela integridade das eleições. “Não aceitaremos a imposição de um resultado que não reflita a vontade popular com absoluta transparência e sem qualquer dúvida ou controvérsia”, afirmou.

O próprio Sánchez compartilhou uma mensagem em sua conta nas redes sociais na qual defendeu o direito à fiscalização democrática e à mobilização pacífica como um direito constitucional, afirmando que os respeita como democrata.

“Só o povo pode salvar o povo! Uma verdadeira democracia tem altos padrões de cidadania e justiça eleitoral!”, acrescentou o candidato e atual legislador.

A vantagem de Fujimori sobre Sánchez aumentou para 33.432 votos, com a apuração do segundo turno das eleições presidenciais peruanas, realizado em 7 de junho, atingindo 99,05% nesta terça-feira, restando apenas apurar os votos das seções eleitorais sinalizadas por supostas irregularidades.

De acordo com a última atualização do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a candidata da Fuerza Popular tem 50,092% dos votos, com 9.125.179 votos, enquanto o candidato do Juntos por el Perú tem 49,908%, com 9.091.747 votos.

Fonte: Gazeta do Povo

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