Mais de 6 milhões de pessoas e famílias já renegociaram dívidas no Novo Desenrola, diz Durigan

GUILHERME PIMENTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta terça-feira (9) que mais de 6 milhões de pessoas e famílias renegociaram dívidas bancárias no âmbito do programa Novo Desenrola.

Em entrevista ao UOL, o titular da Fazenda estimou que o total de beneficiados deve chegar a 10 milhões ainda no mês de junho. De acordo com os dados da pasta, 4 milhões de pessoas que tinham dívidas até R$ 100 já foram desnegativadas, enquanto 1,1 milhão quitou suas dívidas com as instituições financeiras à vista, com desconto de 80%.

Lançado em maio deste ano, o Novo Desenrola é uma das principais apostas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reduzir o nível de endividamento das famílias e melhorar a popularidade às vésperas da eleição presidencial, que ocorrerá em outubro deste ano.

O Desenrola pode ser usado por pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105 mensais. O programa permite dá descontos na renegociação, permite limpar o nome de quem deve até R$ 100 e também autoriza o uso de até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ou até R$ 1.000, o que for maior, para pagar o valor devido.

“Não acho que isso seja um governo que não esteja olhando para o efeito concreto de uma taxa de juros alta ou, no caso do combustível, para a vida das pessoas”, respondeu o ministro durante a entrevista. Segundo ele, 1,7 milhão de operações já foram renegociadas.

O ministro não informou, no entanto, o montante em reais que foi renegociado. De acordo com os bancos, o programa tem potencial para renegociar entre R$ 62,7 bilhões e R$ 77,7 bilhões em dívidas de brasileiros, segundo relatórios do BTG Pactual e da XP Investimentos.

Na entrevista, Durigan disse que deverá ocorrer, nos próximos dias, uma reunião entre ele, o ministro do MDIC (Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a respeito da proposta de tarifa de 25% ao Brasil.

O debate com os EUA no campo comercial, de acordo com o ministro, deve ser por “questão setorial”, como outros países fazem. “Então, dentro do agronegócio, por exemplo, quais são os temas importantes? Os Estados Unidos tem a demanda do etanol, o Brasil tem demanda do açúcar nos Estados Unidos. A questão da indústria aeronáutica,”, comentou.

Desde o ano passado, conforme mostrou a Folha de S.Paulo, o governo brasileiro tenta negociar melhores condições para o açúcar brasileiro no mercado americano.

Além disso, outros temas podem ser discutidos, de acordo com o ministro, como setor de serviço, setor de infraestrutura de telecomunicação e serviço de tecnologia de nuvem. “Esse debate setorial, ele cabe, porque é um debate civilizado que se faz entre países que têm demandas pontuais em relação ao outro”, respondeu.

Na última semana, os Estados Unidos concluíram a investigação 301 e sugeriram uma taxação de 25% sobre bens importados do país. Os pontos levantados pelo governo do republicano Donald Trump incluem Pix, decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre big techs e até a rua 25 de Março, no centro de São Paulo.

Em relação às críticas ao Pix, ele disse que há um incômodo das big techs à gratuidade do serviço, já que existe a intenção de monetizar ferramentas de inteligência artificial com soluções integradas, incluindo pagamentos. Dario criticou a sugestão do setor de comércio do governo americano, ao dizer que não deveria haver uma “punição generalizada” ao Brasil.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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