Em audiência perante um comitê do Senado dos Estados Unidos nesta quarta-feira (3), o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o chamado “Escudo das Américas”, a aliança criada pelo presidente Donald Trump para ampliar a cooperação regional contra o crime organizado, o narcotráfico e o terrorismo, deve crescer nos próximos meses, à medida que eleições mudarem governos em países do continente.
Segundo Rubio, mais de 14 países do hemisfério já se comprometeram a atuar em parceria com Washington em temas como o combate às drogas e segurança.
“Acreditamos que esse número [de países] crescerá nos próximos meses, à medida que as eleições mudarem as lideranças em vários países”, disse o chefe da diplomacia americana.
A declaração reflete a aposta do governo Trump por uma América Latina mais à direita após as eleições que devem ocorrer em vários países da região. Nesta terça-feira (2), em outra audiência no Senado, Rubio já havia afirmado que a região já está “repleta de aliados dos EUA” e de líderes com orientação favorável a Washington, embora tenha citado Brasil, Cuba, Nicarágua, Venezuela e o atual governo da Colômbia, liderado pelo esquerdista Gustavo Petro, como exceções.
O “Escudo das Américas” foi lançado no começo deste ano pela Casa Branca como uma frente de cooperação para enfrentar organizações criminosas transnacionais, especialmente os cartéis de drogas e grupos criminosos ligados ao narcotráfico. A iniciativa faz parte da política mais dura adotada por Trump contra facções e redes criminosas que atuam no continente.
Na semana passada, o governo Trump colocou na mira dos EUA a atuação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que foram classificadas como organizações terroristas. No anúncio, feito pelo Departamento de Estado, o secretário Rubio chamou as duas facções de “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”.
A decisão ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, levar o pedido a Trump e a Rubio durante agendas em Washington. Após o encontro com Trump na semana passada, Flávio disse que, em um eventual governo liderado por ele, o Brasil passaria a integrar o Escudo das Américas e teria uma relação mais alinhada aos Estados Unidos em segurança pública, defesa e política externa.
A direita está liderando atualmente duas disputas presidenciais em países da América Latina: na Colômbia, o candidato de direita Abelardo de la Espriella foi o mais votado no primeiro turno da eleição presidencial e recebeu nesta semana apoio público de Trump antes do segundo turno. O presidente Petro, de esquerda, chamou a manifestação do americano de “interferência”.
No Peru, a eleição presidencial em curso tem a candidata Keiko Fujimori, de direita, disputando e liderando o segundo turno contra Roberto Sánchez, de esquerda.