Principal cartão postal do Brasil no exterior, o Rio de Janeiro também é o destino favorito dos paulistanos para passar o Carnaval (23%) e o Réveillon (21%) –além da energia das festas, realmente muito boas, a proximidade com a capital paulista tem seu papel nesse favoritismo.
Mas nos últimos anos, a capital fluminense tem se empenhado para atrair viajantes ao longo de todo o ano. A começar pelo Todo Mundo no Rio, megaevento que já trouxe à Copacabana shows de Madonna, Lady Gaga e Shakira, e que vem se consolidando como o principal motor do turismo carioca, movimentando aproximadamente R$ 800 milhões a cada edição.
Essa frequência de grandes artistas visitando a cidade e demonstrando seu amor pelo Brasil tem funcionado como chamariz para o Rio ao longo de todo ano. Só no primeiro bimestre de 2026, o aeroporto internacional Tom Jobim, o Galeão, recebeu 473 mil turistas estrangeiros –o maior fluxo para o período nos últimos 50 anos. O próprio ressurgimento do aeroporto, depois das restrições impostas ao Santos Dumont, é ao mesmo tempo causa e consequência do bom momento turístico que a cidade vive.
Com tantos turistas até mesmo em datas antes consideradas baixa temporada, o Rio também tem investido em distribuir esse fluxo por todo o seu território. A própria região sul da cidade, a mais turística, recentemente ganhou uma nova praia própria para banho, a do Flamengo, que já atrai tantos banhistas quanto suas primas mais nobres, como Copacabana e Ipanema.
No centro, o roteiro Pequena África se tornou um dos circuitos mais procurados na cidade, passando por locais que recontam a história da escravidão no Brasil, como o Cais do Valongo (o maior porto de entrada de africanos escravizados nas Américas, declarado patrimônio mundial pela Unesco), o Largo da Prainha, a Pedra do Sal e o Morro da Conceição.
Esses roteiros temáticos também passaram a alcançar a zona Norte, onde o circuito cultural e interativo chamado Rota do Samba guia turistas por bairros como Madureira e Oswaldo Cruz, valorizando o afroturismo e a ancestralidade do ritmo mais tradicional do país. O circuito conta com mapas digitais, audioguias, placas bilíngues com QR codes que conectam pontos históricos ligados à história da Portela, de ícones como Paulo da Portela e Candeia, e de tradições que marcaram o desenvolvimento cultural da região.
Enquanto isso, a zona sudoeste (antes chamada de zona oeste), sempre vista com ressalvas em comparação à zona sul, também guarda uma série de atrativos mais ligados ao turismo de natureza. Estão lá a paradisíaca praia de Grumari, onde não chega sinal de celular, e também a trinca de praias selvagens (do Inferno, Funda e do Perigoso), onde só se chega de trilha.
A região também tem um patrimônio da humanidade para chamar de seu: o belíssimo Sítio Burle Marx, o último lugar onde o mais consagrado paisagista brasileiro viveu. O lugar é um santuário natural com viveiros, lagos e jardins projetados pelo ele –também é possível visitar o seu ateliê.