SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Diferentemente do que previa o planejamento inicial do Corinthians, o clube não tratou a partida contra o Peñarol, nesta quinta-feira, pela Libertadores, como uma decisão. Isso porque a equipe se encontra em um cenário diferente do esperado nesta altura do Campeonato Brasileiro.
Ainda assim, mesmo com um time praticamente reserva em Montevidéu, o plano corintiano funcionou. A equipe arrancou um empate fora de casa, garantiu a liderança do Grupo E da Libertadores e preservou boa parte dos titulares para o duelo contra o Atlético Mineiro, neste domingo, pelo Brasileiro.
LIDERANÇA VALORIZADA, MAS BRASILEIRO EM ALERTA
Internamente, a classificação às oitavas de final da Libertadores na primeira colocação do grupo é tratada como uma conquista relevante. O entendimento é de que decidir os mata-matas na Neo Química Arena representa uma vantagem importante para o clube, que vê o estádio como um trunfo em confrontos eliminatórios. A ideia, inclusive, é buscar a possibilidade de manter o mando de campo na partida de volta também em fases futuras da competição continental.
O UOL apurou que a campanha na Libertadores superou as expectativas da diretoria, embora a competição seja tratada nos bastidores como prioridade tanto pelo elenco quanto pelos dirigentes. A primeira etapa do planejamento para maio, portanto, foi concluída com sucesso.
Em contrapartida, o cenário no Campeonato Brasileiro é completamente oposto e fez o clube ligar o sinal de alerta antes do previsto. Desde o início da temporada, o compromisso interno do elenco era disputar uma campanha sem sustos -diferentemente dos últimos dois anos, quando o Corinthians flertou diversas vezes com a zona de rebaixamento. Esse pacto foi firmado ainda sob o comando de Dorival Júnior, mas o entendimento de Fernando Diniz, atual técnico da equipe, é o mesmo.
O clube entende ser fundamental evitar qualquer risco no Brasileirão, especialmente diante do atual cenário da equipe, que abre a zona de rebaixamento. Na visão do clube, dificilmente haverá condições de disputar o título nacional com Flamengo e Palmeiras, diante da vantagem aberta pelos rivais e do poder de investimento que eles possuem. Por isso, as competições de mata-mata são vistas como os principais caminhos para a conquista de um título nesta temporada, mas sem abrir mão dos pontos corridos.
PLANEJAMENTO DO SEGUNDO SEMESTRE DEPENDE DA PAUSA
A avaliação interna é de que o Corinthians precisa conquistar seis pontos nos dois últimos jogos do Brasileirão antes da paralisação para a Copa do Mundo. Passar o período do Mundial entre os quatro últimos colocados é considerado altamente prejudicial para o ambiente do elenco e para o planejamento do futebol no segundo semestre.
Para a comissão técnica, a maneira como o time chegará à pausa terá impacto direto no planejamento do restante da temporada, construído em conjunto entre diretoria e departamento de futebol. Isso ainda não foi possível neste primeiro mês e meio de trabalho, já que a chegada de Fernando Diniz aconteceu justamente no início da maratona de jogos de abril e maio, considerada decisiva para balizar a temporada corintiana.
Na visão do treinador, o Corinthians tem condições de brigar por títulos no segundo semestre sem correr riscos no Brasileirão, desde que consiga permanecer de forma estável na primeira página da tabela. Para isso, Diniz considera essencial a manutenção da base do elenco, mesmo sem a chegada de reforços.
A diretoria, porém, trabalha com a meta de arrecadar ao menos 20 milhões de euros (R$ 116,2 milhões, na cotação atual) com vendas de jogadores na janela do meio do ano. A ideia é equilibrar as contas do clube sem provocar perdas esportivas significativas para a sequência da temporada.
Leia Também: Após título, Jorge Jesus se despede do Al-Nassr e projeta férias no Brasil