O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta quinta-feira (21) que tenha deslocado para o Caribe o porta-aviões de propulsão nuclear Nimitz para intimidar Cuba, em meio ao aumento das tensões entre Washington e o regime de Havana. Questionado no Salão Oval sobre se esse era um sinal de aumento da pressão americana contra a ditadura comunista cubana, Trump respondeu que “não, de forma alguma” e sinalizou disponibilidade da Casa Branca para dialogar com o regime.
O Comando Sul dos EUA (Southcom) anunciou nesta quarta-feira (20) a chegada do Nimitz e seu grupo de ataque em águas caribenhas. A movimentação ocorreu no mesmo dia em que a Promotoria dos Estados Unidos anunciou acusações contra o ex-ditador cubano Raúl Castro pela morte de quatro americanos na derrubada de dois aviões da organização Irmãos ao Resgate, em 1996.
Apesar da pressão crescente sobre Havana, Trump afirmou que pretende manter abertura para diálogo com o regime. Ao falar sobre a situação da ilha, o presidente americano classificou Cuba como “um país falido”, sem “eletricidade”, “dinheiro” e “comida”, mas disse que Washington está disposto a ajudar.
“Vamos ajudá-los. Quero ajudá-los, quero fazer isso por motivos humanitários”, declarou Trump. O republicano também citou a comunidade cubano-americana, especialmente na Flórida, e disse que muitos exilados querem “voltar e ajudar seu país”.
De acordo com Trump, cubanos que vivem nos Estados Unidos querem investir na ilha e participar de uma eventual reconstrução do país. “Espero que decidam ficar aqui, mas o certo é que querem voltar, querem investir em seu país e, você sabe, ver se conseguem levá-lo adiante”, afirmou.
A declaração ocorre em meio ao endurecimento da política americana contra o regime de Miguel Díaz-Canel. Washington ampliou nos últimos meses sanções econômicas, impôs um bloqueio de petróleo e elevou o tom contra autoridades cubanas.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificou nesta quinta-feira Raúl Castro como “foragido” da Justiça americana após a acusação formal apresentada contra ele. Segundo Rubio, as provas no caso são “claras”, pois o ex-ditador cubano teria admitido ter ordenado a derrubada das aeronaves.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, reagiu acusando Rubio de mentir para “instigar uma agressão militar” contra Cuba. Em publicação nas redes sociais, Rodríguez afirmou que a ilha “não é, nem nunca foi, uma ameaça para a segurança nacional dos EUA”.
Segundo o regime cubano, as novas sanções e o bloqueio de petróleo dos EUA buscam provocar o “colapso da economia” e aumentar o desespero da população. Havana também nega a classificação de Cuba como patrocinadora do terrorismo e acusa Washington de manter medidas que afetam todos os setores da economia da ilha.
Nesta quarta-feira, Trump já havia descartado uma “escalada” com Cuba e indicado que fará “em breve” um anúncio sobre o bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos.