Quando se fala em problemas no fígado, o consumo excessivo de álcool costuma ser apontado como o principal vilão. No entanto, especialistas alertam que vários outros hábitos do dia a dia também podem comprometer seriamente a saúde do órgão, muitas vezes de forma silenciosa.
Segundo a especialista Sonal Saxena, em entrevista ao site HealthShots, a doença hepática gordurosa já afeta quase quatro em cada dez adultos, tornando essencial entender os fatores de risco que vão além do álcool.
“O fígado pode ser danificado por diferentes fatores ligados ao estilo de vida e à saúde metabólica, muitas vezes sem sintomas aparentes”, explicou a especialista.
Veja os principais riscos para o fígado além do álcool:
Alimentação rica em açúcar e ultraprocessados
Dietas com excesso de carboidratos refinados, açúcar e gorduras ruins estão entre as principais causas de danos ao fígado.
“O excesso de calorias é convertido em gordura, que fica armazenada no fígado”, afirmou Sonal Saxena.
Refrigerantes, frituras, salgadinhos industrializados e doces aumentam a inflamação e sobrecarregam o funcionamento do órgão ao longo do tempo.
Sedentarismo
A falta de atividade física também é um importante fator de risco para doenças hepáticas, especialmente quando associada ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura abdominal.
“O excesso de gordura na região abdominal contribui diretamente para o acúmulo de gordura nas células do fígado”, explicou.
Segundo a especialista, exercícios físicos regulares ajudam a melhorar a sensibilidade à insulina e reduzem a gordura acumulada no órgão.
Diabetes e síndrome metabólica
Diabetes tipo 2, resistência à insulina, colesterol alto e pressão alta fazem parte da chamada síndrome metabólica, considerada uma das principais causas de lesão hepática.
“Quando o açúcar no sangue permanece elevado por muito tempo, o fígado transforma o excesso de glicose em gordura. Com o passar do tempo, isso provoca inflamação e formação de cicatrizes”, alertou.
Hepatites virais
As hepatites B e C continuam entre as causas mais graves de doenças no fígado.
“As infecções podem danificar o órgão silenciosamente durante anos, sem apresentar sintomas”, destacou Saxena.
Por isso, exames preventivos e vacinação são fundamentais para reduzir os riscos.
Uso excessivo de medicamentos e toxinas
O consumo exagerado de certos medicamentos, principalmente analgésicos, além da exposição a substâncias tóxicas e até suplementos naturais, também pode prejudicar o fígado.
“O fígado processa tudo o que consumimos. A exposição excessiva a substâncias nocivas pode sobrecarregar o órgão”, afirmou.
Alimentos que ajudam a proteger o fígado
Especialistas ouvidos pelo site EatingWell também listaram alimentos que ajudam a preservar a saúde hepática e podem reduzir o risco de doenças no futuro.
“O fígado é um dos órgãos metabolicamente mais ativos do corpo humano. Ele desempenha mais de 500 funções, incluindo desintoxicação, metabolismo de nutrientes e produção de bile”, explicou a nutricionista Ella Davar.
Confira os alimentos mais indicados para proteger o fígado:
Brócolis e couve-flor
Vegetais crucíferos são ricos em antioxidantes e compostos que ajudam na desintoxicação do organismo.
Segundo os especialistas, substâncias como sulforafano e glucosinolatos estimulam enzimas responsáveis pela limpeza do fígado e podem ajudar na prevenção de doenças hepáticas.
Verduras de folhas verdes
Espinafre, couve e rúcula são ricos em fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes.
“O consumo frequente desses vegetais está associado a menores riscos de doenças no fígado”, apontam os especialistas.
Alho
O alho contém compostos ricos em enxofre, importantes para os processos naturais de desintoxicação do organismo.
“O enxofre ajuda o corpo a transformar toxinas em substâncias que podem ser eliminadas com segurança”, explicou Ella Davar.
Azeite de oliva
O azeite é considerado um aliado da saúde hepática por ser rico em gorduras monoinsaturadas.
Segundo a nutricionista Susie Polgreen, esse tipo de gordura está associado à redução do risco de diversas doenças, especialmente entre pessoas que seguem a dieta mediterrânea.
Chá verde
O chá verde e o matcha são ricos em antioxidantes que ajudam a proteger o fígado.
Além de fornecer energia por conta da cafeína, a bebida contém catequinas, compostos associados à melhora da saúde hepática e à redução de inflamações no organismo.