O rápido crescimento da demanda por carros elétricos com recarga ultrarrápida começou a gerar um efeito inesperado para a BYD: falta de baterias. A própria fabricante chinesa admitiu estar enfrentando restrições na capacidade de produção diante do aumento dos pedidos de novos modelos equipados com a segunda geração da bateria Blade e sistemas de carregamento de alta potência.
A declaração veio do chairman e presidente da empresa, Wang Chuanfu, durante um evento do instituto de pesquisa da Yangwang, marca premium do grupo. Segundo ele, a capacidade de produção de baterias da BYD segue pressionada, embora a expectativa seja de melhora gradual à medida que novas linhas produtivas entrem em operação.
Foto de: Motor1 Brasil
O gargalo acontece justamente em um momento de forte expansão da nova geração de elétricos da marca. Nos últimos meses, a BYD acelerou o lançamento de modelos capazes de operar com seu sistema de “flash charging”, tecnologia apresentada oficialmente em março e que promete reduzir drasticamente o tempo de recarga.
Segundo a empresa, em condições ideais, o sistema pode levar a bateria de 10% a 70% em cerca de cinco minutos, ou atingir 97% de carga em aproximadamente nove minutos. A solução está ligada à nova geração da Blade Battery, componente que virou peça central da estratégia da montadora para ampliar a conveniência dos elétricos.
A pressão sobre o fornecimento de baterias estaria concentrada justamente nesses novos modelos de recarga ultrarrápida. Na China, estimativas de mercado apontam que os pedidos acumulados para veículos equipados com a Blade Battery de segunda geração já podem ter ultrapassado 140 mil unidades. A BYD, porém, não confirmou oficialmente esse volume.
Entre os lançamentos recentes estão versões atualizadas de modelos das linhas Dynasty, Ocean, Denza e Yangwang, incluindo SUVs e sedãs preparados para suportar potências elevadas de carregamento.

Foto de: Denza
Ao mesmo tempo em que enfrenta limitações produtivas, a montadora amplia rapidamente sua infraestrutura de recarga. Entre os dias 7 e 14 de maio, a BYD adicionou 55 novas estações de carregamento ultrarrápido, chegando a um total de 5.979 unidades espalhadas por 312 cidades chinesas. O aplicativo da rede já ultrapassou 1 milhão de usuários.
A empresa quer ir além. O plano batizado de “Flash Charging China” prevê a instalação de 20 mil estações até o fim de 2026, numa tentativa de criar um ecossistema próprio capaz de acelerar a adoção de carros elétricos com tempos de abastecimento mais próximos aos de um carro a combustão.

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No Brasil, o movimento merece atenção porque a BYD também prepara sua ofensiva de recarga ultrarrápida. A marca já confirmou planos de instalar até 1.000 carregadores Flash no país até 2027, tecnologia capaz de reduzir drasticamente o tempo de abastecimento dos elétricos e estreará pela Denza. Na prática, o gargalo de baterias visto na China também ajuda a dimensionar o tamanho da aposta da empresa em uma nova geração de EVs de carregamento muito mais rápido.