Seminovos elétricos ganham liquidez e já giram rápido no Brasil

Ainda cercados por dúvidas sobre revenda e desvalorização, os carros elétricos começam a mostrar sinais de melhora no mercado de seminovos. Dados da plataforma Indicata apontam BYD Dolphin Mini, Dolphin e Song Pro entre os usados de até quatro anos com venda mais rápida no Brasil.

O levantamento faz parte do relatório Market Watch Brasil, publicado mensalmente pela empresa especializada em inteligência de mercado automotivo e remarketing. A análise utiliza um indicador chamado Market Days Supply (MDS), que mede a relação entre estoque disponível e ritmo de vendas. Em termos simples, quanto menor o número, mais rapidamente o carro encontra comprador.

Na edição mais recente do estudo, referente a abril de 2026, o BYD Dolphin Mini aparece com MDS de 15,1 dias, seguido pelo BYD Dolphin, com 15,8 dias, e pelo híbrido plug-in BYD Song Pro, com 17,9 dias. Todos figuram entre os modelos eletrificados usados de até quatro anos com maior velocidade de giro no país.

Modelo

Propulsão

MDS (dias)

BYD Dolphin Mini

Elétrico

15,1

BYD Dolphin

Elétrico

15,8

BYD Song Pro

Híbrido plug-in

17,9

Chevrolet Onix

Combustão/Flex

48,1

Hyundai HB20

Combustão/Flex

45,5

Volkswagen Polo

Combustão/Flex

46,2

*MDS (Market Days Supply) mede o tempo estimado de permanência no estoque. Quanto menor o índice, mais rápida tende a ser a venda do seminovo.

O dado chama atenção porque contrasta com uma percepção ainda comum no mercado brasileiro: a de que carros elétricos tendem a encalhar na revenda ou sofrer forte rejeição no mercado de usados. Pelo menos entre os modelos mais conhecidos no mercado, o movimento parece começar a tomar outro rumo.

Para efeito de comparação, os veículos usados de até quatro anos mais vendidos por volume no Brasil ainda são modelos tradicionais a combustão, como Chevrolet Onix (MDS de 48,1 dias), Hyundai HB20 (45,5 dias) e Volkswagen Polo (46,2 dias). Ou seja, apesar de venderem em maior quantidade, permanecem mais tempo disponíveis no estoque antes de serem negociados.

Isso não significa, porém, que o mercado de usados elétricos tenha atingido maturidade. O próprio estudo faz ressalvas importantes. Segundo a Indicata, a melhora da liquidez ainda está concentrada sobretudo nos elétricos de entrada e ocorre em um contexto no qual a oferta desses modelos permanece relativamente limitada. Locadoras e grandes frotistas, por exemplo, ainda possuem baixa participação de elétricos em suas operações, reduzindo a pressão de revenda no mercado secundário.




Foto de: InsideEVs Brasil

Na prática, isso significa que os atuais níveis de giro podem refletir não apenas maior aceitação do consumidor, mas também um estoque ainda controlado. A grande prova do mercado deve vir nos próximos anos, quando volumes maiores começarem a retornar ao mercado de usados após os primeiros ciclos de renovação de frota.

Outro ponto destacado pela Indicata é que a dinâmica não se repete da mesma forma nos modelos mais caros. Enquanto elétricos compactos e de preço relativamente acessível mostram demanda mais consistente, veículos de segmentos superiores seguem uma curva de adoção diferente, ainda mais dependente de fatores como financiamento, percepção de valor residual e confiança do comprador.



BYD Song Plus 2027

Foto de: Motor1 Brasil


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Há também fatores conjunturais ajudando os carros elétricos. O relatório aponta que a alta recente dos combustíveis pode ter recolocado o custo de uso no centro da decisão de compra, favorecendo a conta econômica dos veículos a bateria, inclusive no mercado de seminovos. Ainda assim, a própria consultoria pondera que esse efeito parece mais pontual do que estrutural, já que preço de entrada e financiamento continuam sendo barreiras relevantes para uma adoção mais ampla.

Ainda é cedo para afirmar que os carros elétricos já superaram o velho estigma da revenda difícil no Brasil. Mas os números sugerem uma mudança gradual de percepção: ao menos entre os modelos mais acessíveis, a liquidez no mercado de seminovos parece já não ser um problema tão grande quanto se imaginava.

Fonte: UOL

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