Governo cria financiamento para motoristas de app e taxistas

O governo federal anunciou nesta terça-feira (12/5) a criação de um programa de financiamento voltado a motoristas de aplicativos e taxistas. A medida busca oferecer crédito com juros reduzidos e prazos alongados para a compra de veículos zero-quilômetro.

A iniciativa foi confirmada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O plano foca na redução da dependência de carros alugados.

Segundo o ministro, muitos profissionais hoje comprometem metade da renda diária apenas para pagar a locação do automóvel às empresas do setor. O objetivo é permitir que o trabalhador utilize esse valor para investir na aquisição de um ativo próprio.

Tentativa de reaproximação após queda de PL

A nova movimentação ocorre apenas um mês após o governo sofrer uma derrota estratégica no setor. No último dia 14 de abril, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que previa a regulamentação da categoria, foi oficialmente retirado de pauta.

A queda do projeto aconteceu após o “Breque Geral”, uma greve que paralisou 13 capitais contra mudanças no texto original que, segundo os protestos e o governo federal, favoreceriam mais as plataformas. Na ocasião, o Boulos e a ala responsável pela ideia indicaram que recuariam diante da pressão de motoristas e entregadores insatisfeitos.

Agora, a gestão federal tenta uma nova abordagem focada no crédito e em benefícios diretos. A ideia é oferecer suporte financeiro e infraestrutura, deixando o debate sobre o vínculo empregatício e a previdência em um segundo plano temporário – possivelmente após as eleições deste ano.



Locadoras - Movida

Dependência das locadoras em alta

A dependência dos carros alugados tem se tornado cada vez mais comum no país por incluir despesas como manutenção e seguros na diária. No entanto, o custo elevado acaba impossibilitando que o motorista poupe para a compra de um veículo próprio.

Dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA) reforçam esse cenário. Segundo o levantamento, o aluguel para motoristas de aplicativos saltou 76,5% em três anos até o segundo semestre de 2024.

Atualmente, o segmento de aplicativos representa cerca de 20% de toda a frota das locadoras no país, somando mais de 300 mil veículos. O governo tenta reverter essa lógica, transformando o gasto da locação em parcelas de um financiamento.

Alguns carros, como o Fiat Mobi e o Renault Kwid, têm hoje mais de 90% de suas vendas ligadas às pessoas jurídicas. As locadoras compram esses modelos em frotas com valores menores e, após um ou dois anos, os repassam ao mercado de usados.



Aplicativo 99 - carro elétrico em recarga

Aplicativo 99 – carro elétrico em recarga

Foto de: 99

Programa deve seguir ideia dos caminhões

O novo sistema de crédito deve seguir os moldes do “Move Brasil”, lançado no final de abril para renovar frotas de caminhões e ônibus. No programa, foram injetados R$ 10 bilhões operados pelo BNDES, com juros entre 13% e 14% ao ano.

Para os condutores de veículos leves, a expectativa é que as condições sejam próximas para fomentar o consumo. A medida visa modernizar a frota nacional que, segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), tem hoje média de 15,43 anos.

Além do financiamento, o pacote inclui a criação de 100 pontos de apoio em grandes cidades por meio de convênio com o Banco do Brasil. Esses locais oferecerão infraestrutura básica, como banheiros e áreas de descanso, para os motoristas.

Regulamentação

O ministro Boulos também aproveitou o anúncio na EBC para cobrar maior transparência das empresas do setor. Segundo ele, novas regras devem ser publicadas para detalhar os valores retidos pelas plataformas em cada corrida realizada.


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As operadoras deverão expor no recibo quanto o consumidor pagou e a divisão exata entre o ganho do motorista e a taxa do aplicativo. O descumprimento dessa norma poderá resultar em multas pesadas para gigantes como Uber, 99 e iFood.

Embora a intenção política esteja clara, os limites de crédito e as taxas exatas ainda serão publicados via portaria. O governo planeja oficializar os parâmetros técnicos e o volume total de recursos destinados ao programa nas próximas semanas.

Fonte: UOL

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