Foi anunciado oficialmente na última sexta-feira, dia 5 de dezembro, o início das obras do Centro Especializado de Reabilitação (CER II), unidade de Fernandópolis/SP. A previsão é que a obra seja concluída até abril ou maio de 2026.
Estavam presentes o prefeito de Fernandópolis, João Paulo Cantarella, o deputado federal Fausto Pinato, que conseguiu a verba para a execução da obra, a assessora Mara Amaral, que representou o deputado Itamar Borges, o deputado estadual Carlão Pignatari e vários prefeitos e vereadores da região.

Daniel Marconi, coordenador do CER, que representou Henrique Prata, presidente do “Hospital de Amor”, explicou que os CERs, antigamente, tratavam do paciente em modalidade única, enquanto que os CER II usam da multidisciplinariedade nos tratamentos, inclusive com o emprego da chamada “oficina ortopédica”.
O deputado Fausto Pinato destacou a importância social e regional do novo equipamento de saúde e reforçou o compromisso com a destinação de recursos para projetos que impactem diretamente a vida da população. “O lançamento do Centro Especializado em Reabilitação de Fernandópolis é um marco para a saúde pública de toda a nossa região. Com investimento inicial de R$ 14 milhões, em parceria com o Hospital de Amor, estamos garantindo atendimento humanizado e de alta qualidade às pessoas com deficiência, em especial às que vivem com Transtorno do Espectro Autista. Mais do que uma obra, este CER representa dignidade, inclusão e cuidado integral às famílias que mais precisam. Nosso compromisso é seguir trabalhando para que o dinheiro público se transforme em serviços concretos, estrutura moderna e mais qualidade de vida para a população”, ressaltou.

CER II (Centro Especializado em Reabilitação Tipo II) é uma unidade do SUS que oferece reabilitação para pessoas com deficiência em duas modalidades(auditiva, visual, física ou intelectual), com equipes multidisciplinares (fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, etc.) para criar um Plano Terapêutico Singular (PTS), visando desenvolver o potencial do paciente e promover sua autonomia e inclusão, sendo um ponto de referência na Rede de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência.
Uma novidade é a chamada “oficina ortopédica itinerante”, que vai até o paciente com eventual dificuldade de mobilidade, a até mesmo a outras cidades. Marconi disse que “a questão do autismo é hoje um dos carros-chefes” na saúde.
As principais atividades oferecidas são:
1. Avaliação e diagnóstico funcional
• Avaliação multiprofissional (fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, assistência social, ortopedia técnica).
• Identificação das necessidades individuais e elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS).
2. Reabilitação Física
• Fisioterapia motora para melhora de força, equilíbrio, mobilidade e prevenção de deformidades.
• Treino de marcha, adaptação ao uso de órteses e próteses.
• Terapia ocupacional focada em autonomia funcional e atividades de vida diária.
• Orientação postural e prevenção de incapacidades.
• Atividades de estimulação sensório-motora.
3. Reabilitação Intelectual
• Intervenções para desenvolvimento cognitivo, social e adaptativo.
• Terapia ocupacional para habilidades de autonomia (organização, autocuidado, rotina).
• Fonoaudiologia para comunicação e linguagem.
• Psicoeducação, estímulo à função executiva e comportamento adaptativo.
• Acompanhamento psicológico e apoio à família.
4. Oficina Ortopédica
• Produção, adaptação, manutenção e entrega de:
• Órteses (AFO, KAFO, talas, coletes, adaptadores posturais).
• Próteses para amputações de membros superiores e inferiores.
• Meios auxiliares de locomoção (muletas, bengalas, andadores).
• Cadeiras de rodas e adaptações personalizadas.
• Ajustes e reparos dos dispositivos.
• Treinamento de uso e acompanhamento pós-entrega.
5. Acompanhamento e orientação
• Acompanhamento longitudinal para avaliar evolução.
• Educação em saúde para usuários e famílias.
• Encaminhamentos à rede de atenção à saúde, educação e assistência social.
Reabilitação do Hospital de Amor. Reabilitar a saúde física, mental, intelectual, auditiva e visual, promover qualidade de vida e autonomia são os principais objetivos das unidades de Reabilitação do Hospital de Amor. O sucesso do resultado da reabilitação é devido à utilização da tecnologia, mas principalmente à expertise, o amor e o carinho que os profissionais têm com os pacientes.
Só em 2024, foram 116.195 atendimentos realizados, somando os atendimentos médicos de neuropediatra, oftalmologista, fisiatra, pediatra, entre outras especialidades, com os da equipe multidisciplinar (fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutrição, entre outras), nas três unidades de Reabilitação do Hospital de Amor: em Araguaína (TO), Barretos (SP) e Porto Velho (RO).
Além dos atendimentos médicos e com a equipe multidisciplinar, foram confeccionados e dispensados 3.861 dispositivos (órteses e próteses), somando os números nas três unidades: 1.616 dispensados pela unidade de Araguaína (TO), 1.765 dispositivos dispensados pela unidade de Barretos (SP) e 480 dispensados pela unidade de Porto Velho (RO).
Segundo o Dr. Daniel Marconi, coordenador das unidades de reabilitação do HA, há uma década, a instituição possui essas estruturas conjugadas: oncologia e reabilitação, e essa experiência foi tão exitosa que se traduziu em uma política pública na nova ‘Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer’, publicada em fevereiro de 2025, o que significa que todas as instituições oncológicas ficam, agora, respaldadas por força de lei a contarem com o centro de reabilitação ou estarem conveniadas com algum já existente.
O que é o CER? Os Centros Especializados em Reabilitação (CERs) são serviços de referência na Rede de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência. Sua finalidade é realizar diagnóstico, tratamento e reabilitação de pessoas com deficiência, além de promover a concessão, adaptação e manutenção de tecnologias assistivas.
O atendimento é realizado de forma interdisciplinar, envolvendo diretamente profissionais de saúde, cuidadores e familiares nos processos de cuidado. O acompanhamento é personalizado, considerando as necessidades de cada indivíduo, o impacto da deficiência em sua funcionalidade e os fatores clínicos, emocionais, ambientais e sociais que influenciam sua qualidade de vida.


