Prof. Dr. Evanivaldo Castro Silva Junior
Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Evanivaldo Castro Silva Junior

Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

25 anos de lousa e 10 de gestão: Por que o desempenho escolar está desmoronando? (Parte 1)

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Como docente há 25 anos, pai de dois filhos — uma criança de 8 anos e uma adolescente de 14 — e gestor escolar há uma década, posso afirmar com razoável grau de certeza: o desempenho geral dos estudantes tem caído sucessivamente. Essa queda é visível em todos os níveis, do básico ao superior (e me atrevo a dizer, até na pós-graduação), tanto do ponto de vista qualitativo quanto comportamental.

É notório como os estudantes têm perdido capacidades antes corriqueiras, como escrever, ler e realizar operações aritméticas básicas — e abro um parêntese aqui para a saudosa tabuada! A leitura, princípio fundamental para a compreensão do mundo acadêmico, da literatura e da resolução de problemas de lógica, tem sido substituída por resumos gerados por Inteligência Artificial (IA), muitas vezes consumidos em formato de áudio.

A escrita, como sabemos, está diretamente relacionada à leitura: quem lê mais, escreve melhor. Consequentemente, ela foi afetada nos mesmos segmentos mencionados. No final do século passado, um dos grandes desafios era escrever boas redações. Hoje, esse desafio é ainda maior; basta pedir a um estudante que escreva um único parágrafo de 6 a 10 linhas sobre um assunto específico. O resultado, via de regra, é preocupante.

Quanto às operações aritméticas, chegamos ao ponto mais crítico. Sem o auxílio de uma calculadora, realizar uma operação manual como “2,45 dividido por 0,35” tornou-se um desafio quase impossível para muitos. Até mesmo a tabuada simples, como “6 vezes 8”, pode representar um obstáculo.

Diante disso, cabe a pergunta: mas o que mudou em apenas 25 anos para criar esse cenário desolador na educação?

A resposta pode estar naquilo que, para nós educadores, é óbvio: o uso excessivo de celulares e dispositivos eletrônicos pelo público jovem. O caro leitor pode pensar: “Ah, mas não é bem assim! A tecnologia permite acesso a uma base imensa de conhecimento, não? Países desenvolvidos usam tecnologia para se tornarem ainda mais avançados!”.

Será?

Um estudo publicado recentemente aponta o contrário. No artigo International declines in academic performance and increases in loneliness are linked to electronic devices (Journal of Adolescence), a pesquisadora Jean M. Twenge mostra que o uso massivo de dispositivos eletrônicos tem correlação direta com a queda nos índices globais de desempenho escolar, mesmo em países desenvolvidos.

Algumas dessas nações, inclusive, têm banido o uso dessas tecnologias nas escolas, retornando de forma quase heroica aos bons e velhos livros físicos. Será este o futuro da educação? As tecnologias ficarão em segundo plano para os educadores? E quanto à IA: ela intensifica ou mitiga esses problemas?

  • Na parte 2 deste ensaio, refletiremos sobre essas questões — claro, para aqueles que ainda valorizam a leitura!

  • A Inteligência Artificial é a vilã ou a solução para o resgate da educação básica? Confira na Parte 2.

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